Sexta-feira, 16 de março de 2018. A ponteira Ellen Braga sobe para a cortada, a bola bate no bloqueio, volta para a rede e cai na quadra do Vôlei Bauru.

Do banco de reservas, Tifanny Abreu vê a comemoração das adversárias do Praia Clube, em Uberlândia, que fechavam ali o terceiro set e garantiam a classificação às semifinais da Superliga feminina de vôlei após ganhar os dois confrontos da série melhor de três. Guardem bem essa informação: “do banco de reservas”. Ela terá papel importante ao longo desta reportagem.

Em pouco mais de três meses, Tifanny fez o Brasil prestar atenção a um tema até então pouco explorado por aqui: a presença de atletas transgêneros no esporte de alto rendimento. Ela, uma mulher trans com 1,92m de altura e potência notável nos ataques, entrou na esteira de algo que se tornou frequente, especialmente em tempos de redes sociais: a polarização.

De um lado, gente se dizendo contra a presença dela na liga feminina, em virtude dos benefícios atléticos herdados de seu gênero anterior. De outro, pessoas relativizando a suposta vantagem e tentando mostrar que ela é tão falível quanto as demais competidoras.

Em busca de repostas, o LANCE! foi atrás de especialistas: médicos, atletas, pesquisadores, militantes da causa LGBT, gente que já lida com o assunto em todas as suas vertentes, não apenas esportivas, mas também sociais... A meta não era criticar nem defender a ponteira do Vôlei Bauru, mas trazer à tona o debate de forma mais aprofundada.